UM CASAL....

.....de turistas ocidentais no Irão tem que se comportar segundo as normas impostas pelas autoridades: sem contactos físicos (mãos dadas), sem minissaias ou saias, sem alças, etc., etc.. Porque é que nós no "ocidente" temos que aceitar as imposições Muçulmanas? Porque acreditamos na liberdade de expressão? Porque acreditamos no direito de expressão de cada um e porque se coibimos essas práticas somos "reaccionários", "separatistas", "racistas", etc., etc.? Porquê? Eu sou Ocidental e pai de três filhas, choca-me ver uma mulher de cara tapada, agride a minha concepção de humanidade. Porque tenho que aceitar isso no meu país? Porque tenho que aceitar ser agredido na minha própria casa?


(M.Farid)
De facto, no Irão, regime teocrático islâmico xiita não serve de exemplo de tolerância muçulmana.
A mesma situação de repressão das liberdades se passa na Arábia Saudita, onde existe uma polícia dos costumes.
Tudo isto é estranho ao próprio Islão histórico.
O que se passa actualmente, com contornos sinistros, é a ascensão de uma corrente doutrinária conhecida por Wahhabismo, surgida no século XVIII na Arábia Saudita. Esta doutrina subverteu a tradicional tolerância do Islão, transformando o crente em obediente passivo do político de serviço, exigindo-lhe um voto de obediência cega. Tal só é possível porque o analfabetismo é enorme ao contrário do passado islâmico pautado por elevada cultura, cosmopolitismo e conhecimento, atestado pelas numerosas escolas e bibliotecas de Bagdad a Córdova.
Quanto à mulher de cara tapada lhe constituir uma agressão, talvez um muçulmano possa dizer o mesmo de uma mulher seminua num anúncio de carros desportivos...São questões de sensibilidades culturais.


(Justzinho)
Sr. Farid, normalmente eu não respondo a comentários aos meus comentários pois não é minha intenção fazer um debate de ideias mas meramente expor as minhas mas, neste caso, por o considerar efectivamente bastante sério, fá-lo-ei:
1) Oficialmente são, a meu saber, muito poucos os estados Muçulmanos que não são estados teocráticos e, os que não são bastante mais que qualquer estado ocidental, justamente pelo facto de que acreditamos que a religião é um direito de cada um, seja ela qual for.
2) Concordo plenamente consigo quando diz que um Muçulmano pode se sentir agredido pela imagem de uma mulher seminua a vender um carro desportivo (embora não seja isso que eu constatei no Mónaco, ou Marbella) e é por isso que não me faz qualquer confusão que um estado islâmico proíba esse tipo de anúncios
Por último sr. Farid, sou tão contra fanatismos Muçulmanos como sou contra fanatismos Católicos, a minha própria religião. A questão que se põe aqui é a tentativa de imposição de uma cultura a outra e isso eu não posso aceitar, nem eu nem o sr., no seu próprio país.


(M.Farid)
As culturas não se impõem. Aceitam-se ou não.
Por outro lado as culturas interpenetram-se de alguns elementos constitutivos como por exemplo a língua, usos, costumes, vestuário, gastronomia, disposições legais, técnicas urbanísticas, agrícolas, etc, etc...
Basta observar a enorme contribuição da cultura islâmica em Portugal e da cultura portuguesa em Marrocos, durante séculos.
Cumprs.


(Justzinho)
Mais uma vez concordo consigo, na totalidade da sua afirmação. Assim como qualquer sociedade Muçulmana tem o direito de não aceitar determinadas posturas/atitudes inerentes a cultura Ocidental, também qualquer sociedade Ocidental tem o mesmo direito de não aceitar determinadas posturas/atitudes da cultura Muçulmana, e é disso que se trata: da não-aceitação de uma pratica Muçulmana que, para a generalidade da sociedade Ocidental que se importa, é agressiva. Da mesma forma que uma mulher ocidental de minissaia não seria bem vista em qualquer país Muçulmano, uma mulher com a cara coberta não é bem vista em qualquer país Ocidental.
Ultrapassando a questão cultural, poderia citar-lhe "n" situações do mundo Ocidental, com as quais deve estar familiarizado, em que a identificação de uma pessoa é obrigatória e necessária e feita pela confrontação da sua imagem num seu documento de identidade com o seu rosto. Este procedimento pode, e tem razão para ser feito, até por um simples vendedor de uma loja, dependendo do modo de pagamento; como vê, em definitivo, a burca não é algo que possa subsistir na sociedade Ocidental.


(M.Farid)
O caso que refere a respeito da identificação de uma muçulmana (seja ela portuguesa, espanhola ou saudita) que sòmente deixa ver os olhos, não me parece uma tarefa impossível. Além da assinatura e impressões digitais, poderá o rosto ser visualizado por uma outra mulher, em privado, para efeitos de identificação com o B.I. ou passaporte. Nem será necessário equipamentos extra para o efeito. Será necessário um simples procedimento de destapar o rosto recatadamente.
E não me parece que a uma muçulmana saudita de rosto velado que entre numa joalharia disposta a comprar muitos milhares de dólares em jóias, seja mandada embora pela simples questão de ter de se identificar destapando o rosto.
Em alguns países muçulmanos que conheço, há a preocupação de, nos supermercados, haver zonas demarcadas de bebidas alcoólicas e produtos suínos para que os não muçulmanos os possam adquirir, o que considero uma atitude de abertura e respeito pela diversidade, além de representar uma oportunidade de negócio. Claro que nessa cultura como na dos países Ocidentais há um caminho de aprendizagem a percorrer. Para isso será necessária uma Escola baseada na cidadania.
Quanto à reacção visual aos rostos velados, depende da sensibilidade de cada um, conforme a matriz estética que o condiciona.


(Justzinho)
Desde o início deste míni debate que as argumentações e os princípios defendidos são os mesmos. Ora de uma forma, ora de outra, mas, no fundo, ambos dizemos o mesmo sobre o mesmo e não creio que avancemos muito. Á muito que defendo uma teoria controversa, que é o facto de que o regime Capitalista "prevaleceu", não por ser o melhor mas sim por ser o mais realista em oposição a outros que desconsideravam características, até genéticas, da raça humana. Dizem alguns que se um extraterrestre, desconhecedor da história da humanidade, que lesse O Capital, Mein Kampf ou A Riqueza das Nações, certamente aplicaria a doutrina do 2º em detrimento dos demais. A verdade é que a única que consegue ser aplicada sem consequências fatais, que invariavelmente implicam no seu próprio fim, é a defendida no 3º, e porque? Porque considera o ser humano como este realmente é, com virtudes e defeitos. Isso vem a propósito da questão dos ensinamentos e aprendizagem que defende; é bonito sem dúvida mas, daí a ser realista é bem diferente. A intolerância será sempre uma arma nas mãos daqueles que leram ou inspiraram o Príncipe de Maquiavel. Fique bem sr. Farid que eu também. Independente do que possa representar para si, tenha um feliz Natal.


..... Um bom debate !!

Comentários

Anónimo disse…
sim senhor. grande debate.!!!!!!!
Anónimo disse…
para quem tiver duvidas à cerca deste assunto, fvr ler com atenção o texto em anexo. ! ihihihihihihihihihihihhi

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